Os Tambicas do Maquiné
Partindo dos campos de cima da serra, em São Francisco de Paula, em direção à Maquiné pela sinuosa Serra do Umbu, o viajante não pode deixar de reparar em pequenos rios que acompanham esta, quase vertical, descida. São riozinhos de águas limpas, cristalinas com seu leito pedregoso. Ao ganhar, gradativamente, a planura do litoral, a paisagem em torno destes riachos vai mudando. Onde se viam araucárias nos campos dobrados e montes com aflorações de basalto, agora surge uma vegetação mais densa, paredões de florestas remanescentes da Mata Atlântica. O ar é mais quente, úmido, pesado carregado de aromas de flores e árvores. E o que outrora era um riacho se transforma em um rio, ganhando forma e força. A água, porém, segue limpa e seu leito com pedras. Ladeado por paredões e montes, o rio se estende pelo vale do litoral. Tendo a Serra do Mar com pano de fundo, este é o cenário ideal para a pesca dos Tambicas. Peixe predador que divide o habitat com Lambaris, Carás, Traíras e Jundiás, mais ágil e ativo que os demais. Uma bela opção para uma tarde com equipamento leve e pequenos streamer’s e ninfas.
Com acesso pela BR-101, a ponte do rio Maquiné é a senha para o acesso ao rio. Cruzando uma estrada vicinal por entre plantações de hortaliças se chega ao camping. Com um pequeno píer, é uma possibilidade para quem vai tentar embarcado. Passando este camping, pode-se encontrar umas barrancas para quem vai tentar desembarcado. O ideal é descer de barco, ou mesmo uma canoa canadense, casteando do centro para as margens. Equipamento 2 ou 3, linha afundativa na ponta (sinking tip), a emoção é garantida. Os peixes são grandes – para padrões de Tambica - prateados, reluzentes, com um dorso negro. Velozes e brigadores, ao serem fisgados, cabeceiam em baixo sem saltar. Mas brigam e proporcionar bons instantes de luta. Muitos acompanham o espécie fisgado, demonstrando o quanto são agressivos e predadores.
Esta é uma pescaria que pode ser feita todas as épocas do ano. No verão, evite sábados e domingos pois a possibilidade de se topar com pescadores linguiceiros atrás de lambaris é bem grande. Outra cautela é com a intensidade das chuvas. Muita chuva nas cabeceiras faz com que os riachos da serra tragam água barrenta lá de cima e água turva não é parceira da pesca de fly.
Carlos Henrique Iotti
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