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Festival da Truta da Serra Catarinense

O Festival da Truta da Serra Catarinense acontece entre os dias 10 a 12 de outubro em São Joaquim, SC. Na Abertura do Evento será apresentado o Projeto de Pesca Esportiva nos rios da Serra Catarinense e o Projeto da ...




Nas Corredeiras

O sol mal ameaçava despontar no horizonte e a agitação no alojamento flutuante, em plena Reserva da Floresta Nacional Saracá/Taquera, era geral. Estávamos prontos para mais uma aventura amazônica. Desta vez nosso destino era as cabeceiras do rio Trombetas, onde encontraríamos corredeiras e pequenas cachoeiras e um leito de pedras. Tais corredeiras ficavam há três horas de voadeiras (embarcações de alumínio com motores de 25 hp) rio acima. Já havíamos tido bastante ação com os tucunarés e agora andávamos atrás de peixes de couro como as pirararas, peixe dos mais esportivos da família dos bagres, devido a sua força e quando sente-se fisgada, dispara em direção a enrroscos e estruturas. Buscávamos também as matrinxãs, peixe de um prateado muito bonito e também bastante esportivo.

Os peixes de couro eram uma espécie de fixação de nosso companheiro de viagem, Marcos Bagatini, que vira e mexe, falava na tal pirarara, peixe que habitava os seus sonhos de pescador. Eu, particularmente, estava mesmo interessado nas tais Matrinxãs, que atacavam iscas artificiais, principalmente spinner's. Haviam preparado um equipamento leve, uma vara Sengsung IM-7 de ação leve e uma carretilha Diamond com linha Fish Line de 0,35 mm e também levava minha inseparável tralha de fly, pronta para o que der e vier.

Nossa esquadra, composta por três voadeiras, singrava em plena madrugada rumo as corredeira quando algo bem familiar a nós, caxienses, interrompeu nossa viagem: cerração. Uma neblina forte obrigou-nos aguardar apoitado à margem sua dissipação. "Cerração que baixa, sol que racha", cumpriu-se o velho ditado.Chegamos em nosso objetivo com um solaço e boquiabertos com a beleza do lugar. Uma série enorme de pequenas cachoeiras e praias com areia fininha e clara, margeados por uma floresta densa... Um paraíso! Já fui descendo do e dando o primeiro pincho nas águas cristalinas e rápidas. Rossano Boff, pé-quente em pescaria, logo fisgou um tucunaré, que tambÉm andava pelas pedras.Não demorou muito e também fisguei um tucunaré-paca pequeno que escapou da garatéia do spinner Blue-fox nº 4. Matrinxã que era bom, nada. Depois de dar o segundo flash na minha carretilha por pura barbeiragem, resolvi reativar o equipamento de fly ou mosca.

Já fazia mais de duas horas de pescaria quando comecei o trabalho com um streamer amarelo. Resolvi descer um pouco em direção oposta a corredeira e deixei meus parceiros para trás, ficando absolutamente solitário em cima de uma pedra, Acho que todo pescador de fly é meio solitário por natureza. Estava mais preocupado com a qualidade do arremesso quando algo bateu com violência na isca fazendo a linha correr da minha mão, escapando logo em seguida. Aquilo deixou a adrenalina a mil. Voltei a pousar a isca no mesmo local e desta vez ferrei o bicho. A tensão na vara Coma foi total e fui deixando a linha passar, pero no mucho, pela minha mão esquerda. De repente, salta na minha frente um peixe dourado, lindo. Salta, louco, alucinado, uma duas, três vezes. Ninguém perto para ver aquele espetáculo, lamentei. A luta durou mais alguns minutos e o tal peixe pranchou. Era um Apapá. Bastante parecido com um tarpon, essa sardinha gigante foi um show naquele final de manhã. Corri em direção aos parceiros e mostrei aquele troféu, afinal, se eu fosse falar iam me chamar de mentiroso. E dê-lhe foto.


Carlos Henrique Iotti


Loja de Pesca